O que tem atrás da porta?

“Numa terra em guerra, havia um rei que causava espanto.

Cada vez que fazia prisioneiros, não os matava, levava-os a uma sala, que tinha um grupo de arqueiros em um canto e uma imensa porta de ferro do outro, na qual haviam gravadas figuras de caveiras.

Nesta sala ele os fazia ficar em círculo, e então dizia:
– Vocês podem escolher morrer flechados por meus arqueiros, ou passarem por aquela porta e por mim lá serem trancados.

Todos os que por ali passaram, escolhiam serem mortos pelos arqueiros.

Ao término da guerra, um soldado que por muito tempo servira o rei, disse-lhe:
– Senhor, posso lhe fazer uma pergunta?
– Diga soldado.
– O que havia por trás da assustadora porta?
– Vá e veja.

O soldado então a abre vagarosamente, e percebe que a medida que o faz, raios de sol vão adentrando e clareando o ambiente, até que totalmente aberta, nota que a porta levava a um caminho que sairia rumo a liberdade.

O soldado admirado apenas olha seu rei que diz:
– Eu dava a eles a escolha, mas preferiram morrer a arriscar abrir esta porta.

Quantas portas deixamos de abrir pelo medo de arriscar? Quantas vezes perdemos a liberdade, apenas por sentirmos medo de abrir a porta de nossos sonhos?”

Autor desconhecido

O peso que a gente leva

O perigo da viagem mora nas malas. Elas podem nos impedir de apreciar a beleza que nos espera.
Experimento na carne a verdade das palavras, mas não aprendo.
Minhas malas são sempre superiores às minhas necessidades.
É por isso que minhas partidas e chegadas são mais penosas do que deveriam.
Ando pensando sobre as malas que levamos…
Elas são expressões dos nossos medos. Elas representam nossas inseguranças.
Olho para o viajante com suas imensas bagagens e fico curioso para saber o que há dentro das estruturas etiquetadas.
Tudo o que ele leva está diretamente ligado ao medo de necessitar.
Roupas diversas: de frio, de calor – o clima pode mudar a qualquer momento!
Remédios, segredos, livros, chinelos, guarda-chuva – e se chover?
Cremes, sabonetes, ferro elétrico – isso mesmo!
Microondas? – Comunique-me, por favor, se alguém já ousou levar.
O fato é que elas representam nossas inseguranças.
Digo por mim. Sempre que saio de casa levo comigo a pretensão de deslocar o meu mundo. Tenho medo do que vou enfrentar.
Quero fazer caber no pequeno espaço a totalidade dos meus significados. As justificativas são racionais. Correspondem às regras do bom senso, preocupações naturais para quem não gosta de viver privações. Nós nos justificamos: “Posso precisar disso, posso precisar daquilo…”
Olho ao meu redor e descubro que as coisas que quero levar não podem ser levadas. Excedem aos tamanhos permitidos.
Já imaginou chegar ao aeroporto carregando o colchão para ser despachado?
As perguntas são muitas… E se eu tiver vontade de ouvir aquela música? E o filme que costumo ver de vez em quando, como se fosse a primeira vez?
Desisto. Jogo o que posso no espaço delimitado para minha partida e vou.
Vez em quando me recordo de alguma coisa esquecida, ou então, inevitavelmente concluo que mais da metade do que levei não me serviu pra nada.
É nessa hora que descubro que partir é experiência inevitável de sofrer ausências. E nisso mora o encanto da viagem. Viajar é descobrir o mundo que não temos. É o tempo de sofrer a ausência que nos ajuda a mensurar o valor do mundo que nos pertence.
E então descobrimos o motivo que levou o poeta a cantar: “Bom é partir. Bom mesmo é poder voltar!”
Ele tinha razão. A partida nos abre os olhos para o que deixamos.
A distância nos permite mensurar os espaços deixados.
Por isso, partidas e chegadas são instrumentos que nos indicam quem somos, o que amamos e o que é essencial para que a gente continue sendo. Ao ver o mundo que não é meu, eu me reencontro com desejo de amar ainda mais o meu território.
É consequência natural que faz o coração querer voltar ao ponto inicial, ao lugar onde tudo começou. É como se a voz identificasse a raiz do grito, o elemento primeiro.
Vida e viagens seguem as mesmas regras. Os excessos nos pesam e nos retiram a vontade de viver.
Por isso é necessário partir. Sair na direção das realidades que nos ausentam.
Lugares e pessoas que não pertencem ao contexto de nossas lamúrias… Hospitais, asilos, internatos…
Ver o sofrimento de perto, tocar na ferida que não doi na nossa carne, mas que de alguma maneira pode nos humanizar.
Andar na direção do outro é também fazer uma viagem. Mas não leve muita coisa. Não tenha medo das ausências que sentirá. Ao adentrar o território alheio, quem sabe assim os seus olhos se abram para enxergar de um jeito novo o território que é seu.
Não leve os seus pesos. Eles não lhe permitirão encontrar o outro.
Viaje leve, leve, bem leve. Mas se leve.
Por Padre Fábio de Melo

Tenho aprendido

Algumas vezes saí para cantar sem nenhum ânimo e cheia de problemas. E nessas ocasioes, nao faltaram pessoas pra me dizer que naquele dia, a minha música fez diferença na vida delas.

A partir desse dia, nunca mais pensei nos meus problemas antes de cantar. 

Uma vez eu menti para uma pessoa que eu amava. Foi quando ela me disse: “tomei essa decisao baseada no que você me disse.”

A partir desse dia comecei a pensar mais antes de falar e a cobrar menos das pessoas.

Anos atrás um amigo me contou um segredo que erroneamente dividi com outra pessoa. Com toda a razao, fui obrigada a escutar que se ele confiasse em outra pessoa como confiava em mim, teria contado o segredo a essa pessoa também.

Nesse dia aprendi que confiança nao pode ser quebrada e que é um privilégio despertar este sentimento em alguém.

Já fui a um encontro de amigas sem ânimo algum e depois recebi um email lindo que dizia: “Obrigada pelo seu silêncio ontem. Eu só precisava ser ouvida.”

Desde entao, dou toda a atençao do mundo a quem precisa de mim.

Aniversário de uma amiga e eu sem grana. Comprei algo bem baratinho e fui à festa. Ganhei o dia quando disse: “As coisas simples da vida sao as mais marcantes”.

Foi nesse dia que deixei de dar mais peso ao dinheiro do que à lembrança.

Aprendi. E sigo aprendendo.

Aprendendo que de fato nao sou uma ilha. Uma atitude minha vai SIM respingar em alguém. Está em mim determinar o quanto quero ser positiva na vida do outro.

Casos Inacabados – Algumas pessoas ocupam dentro de nós um espaço inconfessável

Tem gente que vai ficando na nossa vida. A gente conhece, se envolve, termina, mas não coloca um ponto final. De alguma forma a coisa segue. Às vezes, na forma de um saudosismo cheio de desejo, uma intimidade que fica a milímetros de virar sexo. Em outras, como sexo mesmo, refeição completa que mata a fome mas não satisfaz, e ainda pode causar dor de barriga. Eu chamo isso de caso inacabado.

Minha impressão é que todo mundo tem ou teve alguma coisa assim na vida. Talvez seja inevitável, uma vez que nem todas as relações terminam com o total esgotamento emocional. Na maior parte das vezes, temos dúvida, temos afeto, temos tesão, mas as coisas, ainda assim, acabam. Porque o outro não quer. Porque os santos não batem. Porque uma terceira pessoa aparece e tumultua tudo. Mas o encerramento do namoro (ou equivalente) não elimina os sentimentos. Eles continuam lá, e podem se tornar um caso inacabado.

Isso às vezes acontece por fraqueza ou comodismo. Você sabe que não está mais apaixonado, mas a pessoa está lá, dando sopa, e você está carente… Fica fácil telefonar e fazer um reatamento provisório. Se os dois estiverem na mesma vibração – ou seja, desapaixonados – menos mal. Mas em geral não é isso.

Quase sempre nesse tipo de arranjo tem alguém apaixonado (ou pelo menos, dedicado) e outro alguém que está menos aí. A relação fica desigual. De um lado, há uma pessoa cheia de esperança no presente. Do outro, alguém com o corpo aqui, mas a cabeça no futuro, esperando, espiando, a fim de algo melhor.

Claro, não é preciso ser psicólogo para perceber que mesmo nesses arranjos desequilibrados a pessoa que não ama também está enredada. De alguma forma ela não consegue sair. Pode ser que apenas um dos dois faça gestos apaixonados e se mostre vulnerável, mas continua havendo dois na relação. Talvez a pessoa mais frágil seja, afinal, a mais forte nesse tipo de caso. Pelo menos ela sabe o que está fazendo ali.

A minha observação sugere, porém, que boa parte dos casos inacabados não contém sexo. A pessoa sai da sua cama, sai até da sua vida, mas continua ocupando um espaço na sua cabeça. Você pode apenas sonhar com ela, pode falar por telefone uma vez por mês ou trocar emails todos os dias. De alguma forma, a história não acabou. A castidade existe, mas ela é apenas aparente. Na vida emocional, dentro de nós, a pessoa ainda ocupa um espaço erótico e afetivo inconfessável.

Esse tipo de caso inacabado é horrível. Ele atrapalha a evolução da vida. Com uma pendência dessas, a gente não avança. Você encontra gente legal, mas não se vincula porque sua cabeça está presa lá atrás. Ou você se envolve, mas esconde do novo amor uma área secreta na qual só cabem você e o caso inacabado. A coisa vira uma traição subjetiva. Não tem sexo, não tem aperto de mãos no escuro, mas tem uma intimidade tão densa que exclui o outro – e emocionalmente pode ser mais séria que uma trepada. Ainda que seja mera fantasia.

A rigor, a gente pode entrar numa dessas com gente que nunca namorou. Basta às vezes o convívio, uma transa, meia transa, e lá está você, fisgado por alguém com quem nunca dormiu – mas de quem, subjetivamente, não consegue se esquivar. Telefona, cerca, convida. Estabelece com a pessoa uma relação que gira em torno do desejo insatisfeito, do afeto não retribuído. Vira um caso inacabado que nunca teve início, mas que, nem por isso, chega ao fim. Um saco.

Se tudo isso parece muito sério, relaxe. Há outro tipo de caso inacabado que não dói. São aquelas pessoas de quem você vai gostar a vida toda, cuja simples visão é capaz de causar felicidade. Elas existem. Você não vai largar a mulher que ama para correr atrás de uma figura dessas, mas, cada vez que ela aparecer, vai causar em você uma insurgência incontrolável de ternura, de saudades, de carinho. O desejo, que já foi imenso, envelheceu num barril de carvalho e virou outra coisa, meio budista. Você olha, você lembra, você poderia querer – mas já não quer. Você fica feliz por ela, e esse sentimento é uma delícia.

Para encerrar, uma observação: o alcance e a duração dos casos inacabados dependem do momento da vida. Se você está solto por aí, vira presa fácil desse tipo de envolvimento. Acontece muito quando a gente é jovem, também se repete quando a gente é mais velho e está desvinculado. Mas um grande amor, em qualquer idade, tende a por as coisas no lugar. Uma relação intensa, duradoura, faz com que a gente coloque em perspectiva esses enroscos. Eles não são para a vida inteira, eles não determinam a nossa vida. Quem faz diferença é quem nos aceita e quem nós recebemos em nossa vida. O que faz diferença é o que fica. O resto passa, que nem um porre feliz ou uma ressaca dolorosa.

(Ivan Martins escreve às quartas-feiras para a Revista ÉPOCA)

Hola VIDA, ¿qué tal?

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Abre tus ojos, mira dentro. ¿Estás satisfecho con la vida que estás viviendo?

Actualmente la gente no vive, sino que llena sus días de compromisos, trabajos, actividades, de todo lo que no es “vida”.

Con tanto que hacer, no hay tiempo para soñar más, aprovechar la luz y apreciar un día más de vida. Todo el mundo trata de realizar algo grande, sin darse cuenta de que la vida se compone de cosas pequeñas.

He aprendido que las cosas más bellas del mundo no se ven ni se tocan, sólo se sienten en el corazón y que uno no puede decir que vivió si no experimentó estos sentimientos.

La vida no se mide por las veces que respiras, sino por aquellos momentos que te dejan sin aliento.

Pero también es verdad que la vida es tan corta y el oficio de vivir tan difícil, que cuando uno empieza a aprenderlo, ya hay que morirse.

Fernanda La Salye

Marley & Eu

Tem saudades que sao gigantes, daquelas que a gente nao sabe se vai suportar. Tenho várias saudades assim. E hoje vou escrever sobre uma delas.

 Mas é só porque me faz falta aquela risada. Mas nao é qualquer risada nao. Estou falando daquela risada que realmente ri com gosto das coisas que compartilha com você e que sempre te reserva o melhor dos sorrisos, um sorriso lindo. Sorriso lindo é o que há, meu bem! E sorriso lindo na cara de gente estupidamente bela é “a cara da riqueza”.

Tenho saudade da inocência doce, capaz de me fazer acreditar que esse mundo ainda tem jeito. Mas também sinto falta de quando me surpreende com algo “maldoso” que ninguém percebeu.

Tenho saudade das viagens, sempre tao bem programadas, divertidas e inesquecíveis. Tenho mais saudade ainda das viagens que nao tivemos tempo de fazer. Mas nao desisti, nao. Eu espero que ela ainda tenha aquela mala enorme, vai precisar.

2010 - Paraty / RJ - Brasil

Saudade de qualquer coisa ser motivo para sair, fazer algo diferente, conversar. Ahhh, conversar! Em alguns momentos do meu dia eu daria tudo por uma conversa com ela. Porque tem dias que você precisa desabafar, contar novidades, dividir a felicidade olhando no olho, no olho de quem se interessa muito por tudo que está relacionado a você.

"Conversa com aqueles que possam fazer-te melhor do que és." (Sêneca)

Tenho saudade dos abraços, de todos eles; sim porque ela talvez nao tenha se dado conta mas tem um tipo de abraço para cada situaçao. Uma especialista no quesito “como fazer alguém se sentir amado”.

"Aquele abraço era o lado bom da vida, mas para valorizá-lo eu
precisava viver.

Apesar de ter saudades da sua voz, ainda consigo escutá-la perfeitamente, mesmo tao longe. O timbre está bem gravadinho aqui dentro de mim. Uma música que me acompanha todos os dias.

E quanta simpatia! Eu sinceramente nao entendo como pode uma única pessoa ser tao agradável. Ela é daquelas que tem uma preocupaçao sincera por você no momento em que te conhece e com tanto carinho, nao te resta outra coisa do que entregar-se ao seu mundo, porque quem conquista este espaço jamais quer perder-lo.

Ela me conquistou pelo que é, sem tirar nem por. Chegou na minha vida no momento exato (Sim, além de tudo, tem um ótimo planejamento e visao além do alcance). Ela viu o que poucos notaram e me deu o que muitos negaram. Nao me pediu nada em troca. Confiou em mim sem reservas. Foi esse encanto todo de pessoa desde o primeiro momento.

Ela sabe do meu amor. Incondicional, inclusive. Amor capaz de, em pleno terremoto, levantar correndo só para “salvar” seu porta-retrato da parede. Nem eu acredito que fiz isso, que embora pareça bobo para muitos, prova que eu nao teria dúvida se nesse momento tivesse que escolher levar o mais importante para mim.

Marley & Eu. É o nome de um filme muito conhecido pela prova de amizade entre uma família e um cao. Da lealdade demonstrada até o último minuto. Do amor e da saudade que nunca acabam mesmo com as separaçoes que a vida ou a morte impoe.

Mas é também a historia, de duas amigas que realmente sao irmas, cúmplices, leais, felizes por ter na outra a melhor das riquezas.

Fernanda Marley, te amo muito! Obrigada por me fazer sentir extraordinária, completa e muito amada. À você, todo o meu amor e o meu coraçao carregado de saudade. 

Marley & Eu

Por Fernanda La Salye, ouvindo “The One” – Alicia Keys