Tem mais presença em mim o que me falta

Viña del Mar - Santiago

Viña del Mar – Santiago

E às vezes o sol nao nasce, mesmo que o universo faça tudo certo. Às vezes ele nao dá as caras.

Nao ilumina o dia, nao traz calor, nao deixa o dia bonito. É… às vezes ele nao vem.

E como tudo que muda repentinamente do lugar, que sai do habitual, do comum, esse tipo de acontecimento desestabiliza. Tira o chao. Cava um abismo.

Nao é fácil sair da escuridao. Nao é tao fácil enxergar o que precisa ser visto e nao é legal estar sozinho nessa busca.

O mundo gira, a cabeça gira junto. Tudo se move. Menos aquilo que você gostaria que andasse, que tomasse rumo, que alçasse voo.

Falta o sol. Falta a vida. Falta motivaçao.

Falta amor. Falta compreensao também.

Falta identificar-se com algo conhecido, bonito, que tenha alguma referência com aquele tempo em que tudo parecia sorrir. Algo que te arranque da posiçao atual.

E tudo parece longe, fora de alcance. Impossível.

Se o sol soubesse que apenas um raio, um pequeno facho de luz que entrasse aqui, nesse lugar que criei pra me proteger de tudo que nao tenho capacidade  de enfrentar… Se ele soubesse que apenas um pouquinho dele já me ajudaria muito, mudaria tudo! Se ele soubesse…

Já dizia o poeta: “Tem mais presença em mim o que me falta.”

Sou tudo o que me falta: carne, ossos e cabelos. Um coraçao tomado pelo que me falta, mas que nao é ingrato com o que tem. Isso tem que ficar bem claro. O problema é que poucos entendem.

Sigo em busca. Caminhando. Persistindo. Perseguindo. Às vezes esqueço o que, mas nao por muito tempo, só o suficiente para nao enlouquecer.

O sol nao nasceu hoje. Nao nasce há um bom tempo. Mas eu vou dormir na esperança de que ele venha me ver amanha.

Fernanda La Salye – Ouvindo Jason Mraz, “93 Million Miles”

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Casos Inacabados – Algumas pessoas ocupam dentro de nós um espaço inconfessável

Tem gente que vai ficando na nossa vida. A gente conhece, se envolve, termina, mas não coloca um ponto final. De alguma forma a coisa segue. Às vezes, na forma de um saudosismo cheio de desejo, uma intimidade que fica a milímetros de virar sexo. Em outras, como sexo mesmo, refeição completa que mata a fome mas não satisfaz, e ainda pode causar dor de barriga. Eu chamo isso de caso inacabado.

Minha impressão é que todo mundo tem ou teve alguma coisa assim na vida. Talvez seja inevitável, uma vez que nem todas as relações terminam com o total esgotamento emocional. Na maior parte das vezes, temos dúvida, temos afeto, temos tesão, mas as coisas, ainda assim, acabam. Porque o outro não quer. Porque os santos não batem. Porque uma terceira pessoa aparece e tumultua tudo. Mas o encerramento do namoro (ou equivalente) não elimina os sentimentos. Eles continuam lá, e podem se tornar um caso inacabado.

Isso às vezes acontece por fraqueza ou comodismo. Você sabe que não está mais apaixonado, mas a pessoa está lá, dando sopa, e você está carente… Fica fácil telefonar e fazer um reatamento provisório. Se os dois estiverem na mesma vibração – ou seja, desapaixonados – menos mal. Mas em geral não é isso.

Quase sempre nesse tipo de arranjo tem alguém apaixonado (ou pelo menos, dedicado) e outro alguém que está menos aí. A relação fica desigual. De um lado, há uma pessoa cheia de esperança no presente. Do outro, alguém com o corpo aqui, mas a cabeça no futuro, esperando, espiando, a fim de algo melhor.

Claro, não é preciso ser psicólogo para perceber que mesmo nesses arranjos desequilibrados a pessoa que não ama também está enredada. De alguma forma ela não consegue sair. Pode ser que apenas um dos dois faça gestos apaixonados e se mostre vulnerável, mas continua havendo dois na relação. Talvez a pessoa mais frágil seja, afinal, a mais forte nesse tipo de caso. Pelo menos ela sabe o que está fazendo ali.

A minha observação sugere, porém, que boa parte dos casos inacabados não contém sexo. A pessoa sai da sua cama, sai até da sua vida, mas continua ocupando um espaço na sua cabeça. Você pode apenas sonhar com ela, pode falar por telefone uma vez por mês ou trocar emails todos os dias. De alguma forma, a história não acabou. A castidade existe, mas ela é apenas aparente. Na vida emocional, dentro de nós, a pessoa ainda ocupa um espaço erótico e afetivo inconfessável.

Esse tipo de caso inacabado é horrível. Ele atrapalha a evolução da vida. Com uma pendência dessas, a gente não avança. Você encontra gente legal, mas não se vincula porque sua cabeça está presa lá atrás. Ou você se envolve, mas esconde do novo amor uma área secreta na qual só cabem você e o caso inacabado. A coisa vira uma traição subjetiva. Não tem sexo, não tem aperto de mãos no escuro, mas tem uma intimidade tão densa que exclui o outro – e emocionalmente pode ser mais séria que uma trepada. Ainda que seja mera fantasia.

A rigor, a gente pode entrar numa dessas com gente que nunca namorou. Basta às vezes o convívio, uma transa, meia transa, e lá está você, fisgado por alguém com quem nunca dormiu – mas de quem, subjetivamente, não consegue se esquivar. Telefona, cerca, convida. Estabelece com a pessoa uma relação que gira em torno do desejo insatisfeito, do afeto não retribuído. Vira um caso inacabado que nunca teve início, mas que, nem por isso, chega ao fim. Um saco.

Se tudo isso parece muito sério, relaxe. Há outro tipo de caso inacabado que não dói. São aquelas pessoas de quem você vai gostar a vida toda, cuja simples visão é capaz de causar felicidade. Elas existem. Você não vai largar a mulher que ama para correr atrás de uma figura dessas, mas, cada vez que ela aparecer, vai causar em você uma insurgência incontrolável de ternura, de saudades, de carinho. O desejo, que já foi imenso, envelheceu num barril de carvalho e virou outra coisa, meio budista. Você olha, você lembra, você poderia querer – mas já não quer. Você fica feliz por ela, e esse sentimento é uma delícia.

Para encerrar, uma observação: o alcance e a duração dos casos inacabados dependem do momento da vida. Se você está solto por aí, vira presa fácil desse tipo de envolvimento. Acontece muito quando a gente é jovem, também se repete quando a gente é mais velho e está desvinculado. Mas um grande amor, em qualquer idade, tende a por as coisas no lugar. Uma relação intensa, duradoura, faz com que a gente coloque em perspectiva esses enroscos. Eles não são para a vida inteira, eles não determinam a nossa vida. Quem faz diferença é quem nos aceita e quem nós recebemos em nossa vida. O que faz diferença é o que fica. O resto passa, que nem um porre feliz ou uma ressaca dolorosa.

(Ivan Martins escreve às quartas-feiras para a Revista ÉPOCA)

Hola VIDA, ¿qué tal?

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Abre tus ojos, mira dentro. ¿Estás satisfecho con la vida que estás viviendo?

Actualmente la gente no vive, sino que llena sus días de compromisos, trabajos, actividades, de todo lo que no es “vida”.

Con tanto que hacer, no hay tiempo para soñar más, aprovechar la luz y apreciar un día más de vida. Todo el mundo trata de realizar algo grande, sin darse cuenta de que la vida se compone de cosas pequeñas.

He aprendido que las cosas más bellas del mundo no se ven ni se tocan, sólo se sienten en el corazón y que uno no puede decir que vivió si no experimentó estos sentimientos.

La vida no se mide por las veces que respiras, sino por aquellos momentos que te dejan sin aliento.

Pero también es verdad que la vida es tan corta y el oficio de vivir tan difícil, que cuando uno empieza a aprenderlo, ya hay que morirse.

Fernanda La Salye

Sou um péssimo pastor

 

Desculpe-me, mas sou um péssimo pastor…

…porque eu não vou mudar a minha voz para que você sinta segurança, achando que tenho alguma autoridade, quando eu falar;

…porque eu não vou pensar por você para facilitar sua jornada espiritual;

…porque eu não vou falar mais alto do que você precisa para ouvir;

…porque eu não vou lhe ensinar a determinar ou dar ordens ao Pai, como um filho mimado o faz;

…porque eu não lhe dizer que você é um vencedor quando o a sua espiritualidade está falida;

…porque eu não vou lhe ensinar a temer a Deus mais do que a amá-lo;

…porque eu não lhe direi que você é especial simplesmente por estar frequentando uma Igreja;

…porque eu não alimentarei o seu ego pregando somente as coisas que você gosta de ouvir;

…porque eu não lhe ensinarei a ser próspero a qualquer custo enquanto o mundo morre de fome;

…porque eu não lhe ensinarei a mover as mãos de Deus através de uma oferta sacrificial;

…porque eu não lhe direi que Deus me revelou algo que não está no texto, somente para fazer a mensagem melhor para você;

…porque eu não lhe direi que você não pode beber, se tatuar, ouvir músicas que não tocam na Igreja somente para facilitar o meu pastoreio;

…porque eu não vou lhe ensinar que a igreja de quatro paredes é a casa de Deus;

…porque eu não vou lhe ensinar que se você entregar o dízimo sua responsabilidade com os necessitados estará cumprida;

…porque eu não vou transformar a reunião do culto numa rave para que você fique atraído pelo ambiente;

…porque eu não vou lhe ensinar a marchar por Jesus, enquanto Ele quer que marchemos pelo próximo;

…porque eu não lhe darei uma lista do que pode ou do que não pode para você farisaicamente siga um mandamento no lugar de um Deus;

…porque eu não lhe ensinarei que há um Diabo maior do que a Bíblia conta somente para você poder colocar em alguém a sua culpa;

…porque eu não lhe ocultarei os meus erros para você pensar que é liderado por alguém melhor que você;

…porque eu não vou falar em nenhuma outra língua além da que você consegue compreender;

…porque eu não lhe tratarei melhor por causa do carro que você anda, da roupa que você veste ou do dinheiro que você põe no gazofilácio.

Dentre muitas outras coisas que poderia dizer: fique certo: sou um péssimo pastor.

Autor: Felipe Costa

Passado – Uma roupa que nao serve mais

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“E nem tudo sao flores”, já dizia o ditado. Tem muita coisa massacrando nossa motivaçao, matando nossos sonhos e nos dizendo que somos incapazes, todos os dias.

As vezes a vida é tao ingrata, tao madrasta, que a gente se pergunta se vale a pena mesmo passar por tudo isso e se nao é melhor se render, deixar a maré nada otimista levar a melhor.

Também temos que admitir que às vezes a vida dá uma trégua – às vezes no limite do suportável, mas dá – e nessa hora sao poucos os que conseguem alçar vôo, se libertar. Nessa hora é mais fácil ceder ao medo. E como sao muitos os nossos medos.

Confesso que sou medrosa para muitas coisas, mas tenho aprendido que nao devo ter medo exatamente de tudo o que temo, como: a sinceridade, não dar certo, depois vir a sofrer (sofrerei de qualquer jeito); abrir o coração…

E se você já se viu nessa situaçao, sabe que a gente cria estratégias para se “proteger”, deixamos de tomar atitudes e consideramos essa escolha como sábia.

Sabe de uma coisa? Nao é sábio ser sabido.

Liberdade implica ser você, exatamente aquele você que a vida impede de ser.

Seja você cantando desafinado, dançando fora do ritmo, falando besteiras, contando piadas que só você vai rir, gaguejando sonhos, tremendo de realizaçoes.

Seja ousado o suficiente para dizer: eu quero, eu gosto, eu estou com vontade. Porque lá na frente, você vai se dar conta de que aquilo que hoje te causa medo, tristeza e dor, virará uma fraca lembrança e que só o sorriso pode resistir a todas as ciladas do tempo.

Entao levanta, sacode a poeira! Vale tudo para superar um passado, menos chorar tempo demais. Pois sempre há coisas boas para pensar. Algumas inclusive se realizam.

Eu não tenho muitas respostas, o que eu tenho é fé e a lembrança de que com o tempo as perguntas mudam. Também tenho uma vontade bonita, toda minha, de crescer, de ser feliz.

“Esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo. ” [Filipenses 3:13, 14]

Fernanda La Salye

Eu nao tenho vergonha de ser brasileiro

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Eu não tenho vergonha de ser brasileiro, não
Sou mistura de negro, europeu e tupi guarani
Todo mundo já sabe meu nome é João, sou cristão.
Deus me deu minha voz pra quem quiser ouvir.

Eu não tenho vergonha de ser brasileiro não
Sou profeta do samba do frevo e do maracatu
Todo mundo já sabe as cores do meu coração.
Ele é verde, amarelo, branco e azul.

Imagine só ver um cavaquinho nas mãos do rei Davi
Imagine só S. Pedro pescando na praia de Itapuã
Imagine só um frevo rasgado dos filhos de Levi
Imagine só o apóstolo Paulo no Maracanã, já pensou…

Imagine só Maria fazendo uma feijoada
Imagine só Isaias pregando na Rocinha
Imagine só Miriã dançando uma timbalada
Imagine só Esaú se vendendo ao jabá com farinha…

Eu não tenho vergonha de ser brasileiro, não
Sou mistura de negro, europeu e tupi guarani
Todo mundo já sabe meu nome é João, sou cristão.
Deus me deu minha voz pra quem quiser ouvir.

Eu não tenho vergonha de ser brasileiro, não
Quero mais florescer no lugar onde Deus me plantou
tô aqui pra cantar minha história, meu povo, meu chão.
Esse Brasil brasileiro que Ele tanto amou.

Imagine só os salmos em moda de viola
Imagine só os profetas virando repentistas
Imagine só o Mestre e os doze batendo uma bola
Imagine só a visão de Jacó pela voz de um sambista a cantar

Imagine só os anjos tocando seus tamborins
Imagine só cuicas nos braços dos serafins
Imagine só pandeiros soando ao invés dos clarins
Imagine só um céu brasileiro bem tupininquim.

Eu não tenho vergonha de ser brasileiro não…
É isso aí, eu não tenho vergonha de ser brasileiro…

Música: “Joao Brasileiro”

Letra: Joao Alexandre