Ainda sobre Felicidade

No post abaixo, pedi que meus amigos falassem o que precisava acontecer em 10 minutos, em 10 meses e em 10 anos para que ficassem felizes. Meu amigo, Rafael Salbego, aceitou o desafio e eu fiquei maravilhada! Divido essa FELICIDADE com vocês.

Em 10 minutos:
O trânsito está parado. Na rádio, o horário político me consome a paciência e a capacidade de entender o porquê ainda estou lá ouvindo.

Busco no pen drive as mesmas músicas. Parece que já as decorei. Não me embalam como antes. O calor é senegalesco e hoje é sexta feira. O sol está escaldante lá em cima.
Olho pra minha direita, e por cima das outras 3 fileiras de carros parados, vejo o imenso azul da mar.

“Ora essa, e porque não ?” – penso eu. A seta laranja é acionada, abaixo o vidro. Ouço alguns predicados acerca da minha mãe que não gostaria de ouvir, mas relevo. Nada vai me segurar. A placa diz “prazo máximo de 15 minutos, com o pisca alerta ligado”. É o suficiente.

Sem muitas razões plausíveis, estaciono de qualquer jeito. O alarme se encarrega de subir os vidros e travar as portas (obrigado, tecnologia). E ele lá, imenso, porem manso. Convidativo. Azul.

A camiseta fica perto de um quiosque. As meias e o tênis me vigiam à beira mar. A calça? Não deu tempo, vai com ela mesmo. Um mergulho! Como se o mundo parasse naquele instante. O barulho desapareceu, as buzinas passaram a não existir. Só aquela calmaria me fazia companhia.

E lá fico, enquanto meus pulmões agüentam. Agüentaram pouco, é verdade. Quando subi e puxei o fôlego, tudo parecia diferente. Tudo igual, mas diferente. Foram 10 pequenos e breves minutos. Era, de fato, o que eu mais queria. A beleza da inconseqüência livre.

Em 10 meses:
Cheio de vontade, e nenhum norte até então. A força da juventude esbarra nos empecilhos da vida adulta. Calma. Hora de organizar as idéias. (Como se fosse a coisa mais simples do mundo).

Planilhas, sonhos e projetos dividem espaço na tela do notebook em cima da mesa bagunçada do apartamento de menino.

Médio prazo, longo prazo. Pra ontem. Uma vida. Unidades de medida que a gente aprende depois de um tempo. O desespero ameaça bater. Mas aí é hora de olhar pra trás. Como eu era há 3 anos ? E ano passado? E hoje? É, muita coisa mudou. Pronto, a injeção de ânimo me reascendeu.

Porque tenho que ficar preso na minha área? Quem disse que isso é lei?
Deixo as planilhas de lado. Crio pequenas metas. E, uma delas está dentro de um site.
As promoções são boas. Mas não são as que me interessam. O desafio sempre foi mais motivador.

Olho pro cartão de crédito. Ele olha de volta. Num olhar de companheirismo, ele parece me dizer “Tamo junto”. E é bom que estejamos mesmo. Faça chuva ou faça sol, ao findar dessas dez prestações, estarei rindo de mim mesmo, esquecendo da dor do tombo e do mico enorme.

Afinal, estar no Chile esquiando é maior que tudo isso! Alguém já disse “No pain, No gain”. Bien Veñidos El Chile.

Em 10 anos:
Não está mais totalmente escuro. Mas ainda é difícil caminhar. O coração bate na garganta. A boca está seca. Qualquer movimento errado pode colocar tudo a perder. E não, não quero isso. Não agora. Pé ante pé, sorrateiramente, dou meu jeito de escapar.

Fugitivo? Ok. Pode me chamar assim. Só a roupa do corpo mesmo. Não vou precisar de mais nada.

O alvo é forte o suficiente pra me motivar a isso. Com a delicadeza de uma pluma, venço o primeiro obstáculo. Passo a primeira porta. A segunda é logo ali. A confiança aumenta. Quem já venceu a primeira vence a segunda. Preciso acreditar nisso. – Mas que droga – lamento; – custa comprar um óleo pra essa maçaneta? Gelo. Respiro ofegante. O coração parece sair pelos olhos. As mãos chegam a querer tremular.

Mas, felizmente, ainda não fui descoberto. Passo a segunda porta. No novo recinto, encontro o que procurava. As facas. Pego logo três. Uma maior, uma média e uma menor. Nunca se sabe qual exatamente será usada. Alguns potes de vidro também. E uma toalha, pra cuidar da sujeira.

Deixei as portas apenas encostadas. Sabia que precisaria voltar. De novo, como um espião, volto com meus utensílios a postos. Chego perto. Olho. Por algum motivo, um sorriso brota no rosto.

Quando abaixo, o perfume doce toma conta de mim. Perfume de manhã de sol. Que aroma maravilhoso. UM SUSTO! Breves segundos de silêncio de ambos.
– A mulher mais linda desse mundo inteiro merece sim café na cama.
Bom dia meu amor!
Um beijo por um queijo.
Ela ganhou o queijo.

Por Rafael Salbego, 25, Publicitário e Músico

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