E assim me despeço

Uma das coisas que sempre me deu trabalho mas um prazer enorme, foi a organização de eventos. Sempre há inúmeros lugares para ligar, serviços para contratar, ingressos para vender… Cansa só de pensar!

Estou organizando um evento agora que tem exigido um pouco mais de mim porque jamais fiz um evento assim. Decidi que ele seria bem diferente, então, estou lidando primeiramente com o público mais crítico no quesito“quebrar regras”: eu!

Está um pouco complicado colocar as ideias no papel porque a minha filha Luisa está no quarto ao lado ouvindo música alta (não sei de quem ela herdou essa paixão por música) e conversando com as amigas do colégio sobre o garoto que começou a namorar mas que terei de achar um jeito de esconder um pouquinho mais do pai dela. Sabe como é, não importa a geração, pais sempre demoram a aceitar. Ainda bem que estamos indo para o Taiti na próxima semana. Naquele lugar maravilhoso e sozinhos, posso até contar que ela pensa em casar que ele nem vai ligar.

Mas voltando ao evento, que trata-se de uma festa, resolvi fazê-la na casa de campo mesmo. O lugar é mágico e cheio de boas lembranças. Lá tudo dá sempre certo, até o que parece irremediável. Pronto. Será lá.

Se terá música? Mas você já viu alguma coisa organizada por mim que não tenha música?! Mas dessa vez o repertório será escolhido pelos convidados. Quero mesmo que eles se divirtam e cada um a sua maneira. Vai tocar de tudo um pouco. Me sinto confortável em fazer isso porque a galera tem bom gosto. Também não é assim, de qualquer jeito né?! Vou aproveitar para ligar na Music Edition, Produtora do todosUM, assim eles me ajudam a escolher as melhores músicas da banda nesses 50 anos de estrada. Até lá eu acho que já voltamos da turnê na Ásia com o Hillsong United. Só me preocupo porque estou planejando com muita antecedência e ainda assim corro o risco da minha banda não ter essa data livre para a minha festa, acredita?! Mas algo lá no coração me diz que eles não perderiam esse evento por nada.

Cenário? Quero ambientes temáticos para cada fase da vida: brinquedoteca para os bebês, sala de games para as crianças e adolescentes, pista de dança para jovens e adultos.

Seria interessante se a cozinha também acompanhasse esse pensamento, servindo desde algodão-doce e pizza, até comida japonesa e vegetariana.

Mas até o dia do evento eu preciso terminar o meu livro. É mais que um sonho, sinto-me no dever de levar um pouco mais de conhecimento. Vou até marcar nas minhas tarefas que preciso falar com a minha assessora para dar andamento as coisas mais burocráticas da publicação e certificar-me de que está tudo bem com a “La Salye Livraria”. É o patrimônio não só da Luisa, mas de todos os que priorizam a cultura.

Quero fotos, muitas fotos! E quero inclusive que os convidados levem uma foto-lembrança do evento. Tem coisa mais legal do que olhar fotos e recordar bons momentos? Penso ser um brinde que marca muito mais do que qualquer eletroeletrônico, embora seja fascinada por eles.

Por falar em convidados, pensei em deixar uma lista na entrada, mas desisti da ideia. Eu sei que estarão lá os parentes, os amigos de infância, de diferentes fases da vida, do trabalho, da igreja, da banda, do colégio, da faculdade de Publicidade e Propaganda e também de Música, da pós-graduação em Criação na Comunicação, do mestrado em Marketing e até mesmo do doutorado que preciso concluir. Estarão lá todos os que consegui marcar a vida de alguma forma. Deixar uma lista seria negar à minha família o prazer de se surpreender.

E quer saber? Vou até estipular um ingresso. É isso mesmo! Ao serem comunicados sobre o dia da festa, quem quiser ir deverá levar um livro, novo ou usado, para a construção de uma unidade da “La Salye Livraria” em uma comunidade carente. Adoro a ideia de diversão unida à responsabilidade social.

É uma festa minha para quem amo, admiro e me importo. É para celebrar a alegria de ter partilhado o melhor de mim com eles e é por isso mesmo que não estarei presente, como era de se esperar. Prefiro personificar-me nas coisas que desfrutarão nesse dia e nas boas lembranças de cada um.

Tenho muitos detalhes sobre a festa para resolver ainda, mas acredito que o essencial eu já mencionei. Vou parar por aqui porque aprendi que de nada adianta trabalhar demais e não aproveitar as pessoas que amamos e o quanto se pode aprender com elas. Vejo os outros detalhes depois.

Nesse momento, vou tomar o chá da tarde com a mamãe e a Luisa, e rir das coisas que já vivi, se repetindo na vida dela.

Vou aguardar meu Amor chegar do trabalho e aproveitar o companheirismo de uma relação que me impulsiona a seguir e me deixa mais leve.

Vou colocar a mochila nas costas mais vezes e viajar para todos os lugares que me der vontade.

Vou continuar me desafiando profissionalmente e se não conseguir um desempenho perfeito, vou pelo menos alcançar o qualificável, mas vou pensar sempre além disso.

Vou planejar o meu lazer e priorizá-lo também. Por que não?!

Vou deixar minha marca nas pessoas a ponto de concluir a vida com a certeza de saber quem sou e quem fui, tenha essa vida a duração que tiver.

Vou ler meus livros, escrever meus artigos, dançar ao som de Janis Joplin e M5 e cantar até perder a voz.

Vou viver! Não de forma irresponsável, porque para mim o caminho da felicidade é aquele em que a palavra “prazer” cabe na mesma frase que a palavra “Deus”, mas vou viver intensamente.

A essa altura da vida, aprendi que ela está cheia de coisas que deveriam ter sido, mas não foram, e outras que jamais deveriam ter sido e foram. Se é verdadeiro que há muitas coisas que não podemos mudar, também é certo que há muitas coisas que poderíamos ter mudado.

A grande aflição não é morrer, mas morrer sem ter vivido, é viver sem ter descoberto porque, afinal de contas, vivemos.

Morrer e não aprender a viver seria um pesadelo para mim. Ter aprendido a viver é a melhor forma de encerrar um ciclo e de organizar essa festa.

Fernanda La Salye
(Desafio da Pós-Graduação em Criação na Comunicação: Escrever como quero ser lembrada quando morrer).

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