Uma atitude excepcional

Sou Redatora em uma agência de publicidade e recentemente meu trabalho me deu um presente maravilhoso: conhecer um pouco mais o trabalho da Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais de São Paulo, a APAE (http://www.apaesp.org.br/).Mas não é sobre a superação da deficiência intelectual que eu quero falar desta vez e nem do quanto podemos aprender com as pessoas que possuem necessidades especiais. Ainda não.Porque neste primeiro momento eu não estou encantada com o portador da síndrome de Down, mas com a pessoa que acreditou na inclusão social dele e que lutou por isso: Dona Jô Clemente, uma mãe obstinada e amorosa que não mediu esforços pelos filhos e uma mulher que garantiu dignidade a milhares de portadores de síndrome de Down.A motivação de Jô para começar o trabalho da Apae-SP teve um único nome: José Fábio, conhecido como Zequinha, segundo de um total de quatro filhos. Portador de síndrome de Down, ele foi sua ‘mola propulsora’. Aos 22 anos, e criada para ser uma dona-de-casa exemplar, ela percorreu diversos consultórios médicos ao perceber que Zequinha, aos 2 anos, era muito ‘molinho’. Demorou a acreditar no diagnóstico da síndrome de Down – doença comum na época, mas que fadava seus portadores a uma vida reclusa. Jô tentou colocar Zequinha em escolas comuns. Só encontrou portas fechadas. Mas não se deu por vencida. Juntou-se a outros quatro casais, que também tinham filhos portadores da deficiência, e fundou a Apae-SP, em um sobradinho na Zona Sul da capital.

São inegáveis os bons resultados colhidos por Jô em todos estes anos. Inspiradas nela, outras 2.300 Apaes nasceram no Brasil. Na década de 70, a entidade já realizava o teste do pezinho, exame capaz de detectar doenças congênitas. As portas das escolas se abriram para a inclusão de outros Zequinhas. Mais de 144 mil alunos com algum tipo de deficiência estão matriculados em escolas públicas. Através de convênios com empresas nacionais, a Apae-SP ajudou a impulsionar a venda da força de trabalho desses deficientes, que agora recebem salários, aprendem um ofício e ganham auto-estima.


Dona Jô teve um estímulo muito forte para criar a Apae: dar qualidade de vida ao seu filho, que não era aceito simplesmente por ser diferente.

Embora um filho provoque reações e desperte em seus pais algumas vontades e desafios que com certeza também os surpreendem, eu não duvido que Jô tivesse feito algo amável e grandioso por um excepcional, se a situação tivesse sido diferente.

O que me perturba hoje é pensar o que será preciso me acontecer para que eu enxergue pessoas com estas ou outras necessidades? Será que elas recebem de mim a mesma atenção que os outros? Será que eu realmente acredito que elas tenham algo a me ensinar? Que sejam capazes de aprender ou produzir alguma coisa?

Se meus recursos, habilidades e competências não são investidas em causas como esta, como posso esperar que no futuro, meus filhos tenham um mundo mais amoroso, altruísta e solidário?

É fato que ongs como a Apae precisam de recursos financeiros para executar com excelência tudo aquilo que os portadores esperam e precisam encontrar quando se deparam com as dificuldades da deficiência, mas muitas vezes elas gostariam que nossos filhos fossem estimulados a visitar as crianças da ong apenas para brincar com elas. Não seria nada mal também se de repente eu me interasse em conversar com os “especiais”, rir com eles, contar histórias, trocar experiências, conviver…

Estou lendo Retalhos da Vida, a biografia de Jô Clemente, a personificação da Apae. Uma mulher que aos 80 e poucos anos de idade ainda inspira lições de vida.

Me pergunto o que a minha vida terá inspirado quando eu tiver a mesma idade…

Fernanda La Salye

Ouvindo: “Um servo” – Família Soul & Novo Israel

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2 comentários sobre “Uma atitude excepcional

  1. Lindo post, Fê!E cá entre nós, delicioso briefing para pegar e fazer com carinho. Quero ver seu trabalho quando ficar pronto. E gostei de ver que tu "bloga". É um ótimo lugar para o vício do texto desses redatores heheBjo do Luis!

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